Resenha crítica do livro Cinema Negro no Feminino: afeto e pertencimento além das telas

Livro lançado em novembro de 2025 pelas pesquisadoras Ceiça Ferreira e Edileuza Penha foi enviado como uma cortesia ao Coletivo de Cinema Negro de Londrina

Crédito foto: Charlise Corrêa

“Quer incomodar? Ame. Quer ser revolucionária? Ame.” (Maria Antônia Pereira Àgape, 2025), e eu diria que o livro Cinema Negro no Feminino: afeto e pertencimento além das telas, por Edileuza Penha e Ceiça Ferreira, é um belo dossiê de textos feitos a partir dessa premissa. Tudo é feito com carinho, cuidado e amor, entendem o cinema como um espaço coletivo de constante troca e aprendizagem, trocas entre a equipe, trocas entre produção e público, trocas entre passado, futuro e presente. Reverenciam de forma muito bela todas aquelas que mesmo nas adversidades não desistiram de seu desígnio, deixando um lindo legado ao cinema brasileiro.

Crédito foto: Charlise Corrêa

Quando falamos de cinema negro no feminino é nítido que existe o desejo e o esfoço para incluir não apenas mulheres negras, mas tantos outros grupos que são marginalizados e menosprezados no meio do audiovisual. E esse é seu diferencial, não lutam para se erguer sozinhas, mas trazem juntas o grito por um cinema que deve ser coletivo, compreendem que cada um tem seu papel importante dentro de todo o processo e que cada indivíduo tem o direito de falar e expressar-se por si.

Para mim, foi particularmente prazeroso ler as entrevistas das cineastas, que é de onde se origina a citação no início deste texto. Entender o processo particular de cada uma e a pluralidade em suas trajetórias, tornou palpável uma experiência que parece tão distante, que é a de produzir cinema no Brasil.

Que privilégio é poder já no início de meu interesse por cinema me deparar com um material rico como esse e me enxergar dentro de uma outra lógica de produção cinematográfica, uma lógica que me lembra a forma como a cozinha na casa de minha avó funciona, uma lógica coletiva e acolhedora. Anseio que desse trabalho possam se desdobrar milhares, que venham mais Adélia Sampaio, Edileuza Penha, Ceiça Ferreiras e tantas outras!

Biografia da autora

Giovanna Tomaz Rocha é graduanda em Artes Visuais pela UEL, e participante da oficina de Cinema Popular oferecida pelo Coletivo de Cinema Negro de Londrina – Cocine, do qual também faz parte. Artista e pesquisadora, explora em seus trabalhos questões existenciais e temporais, estabelecendo relação entre palavra e imagem, e no campo da pesquisa se volta para temas étnico-raciais e produções afro-brasileiras contemporâneas.


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